Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo é lembrada por Roberto de Lucena

Sr. Presidente, ilustre Deputado Inocêncio Oliveira, Sras. e Srs. Parlamentares, estamos em plena Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo.
Iniciadas em 13 de fevereiro, as atividades da Semana estendem-se até o dia 19, incluindo campanhas educativas sobre os riscos e danos decorrentes do consumo de álcool, atos públicos, seminários e fóruns. A maior parte desses eventos ocorre em escolas da rede pública e privada, onde se concentra a população jovem. Estão previstas também intervenções nas unidades de saúde, de forma a aumentar a qualidade de vida dos dependentes, já doentes crônicos.
A data de 18 de fevereiro foi instituída como Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, e as atividades concentram-se exatamente na semana que a inclui, ocasião em que os esforços se somam para conscientizar a população de que o uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas causa doenças como o câncer de língua, boca, esôfago, laringe, fígado e vesícula biliar, e também outros males como hepatite, cirrose, gastrite e úlcera, além de danos cerebrais irreversíveis e malformação congênita, quando usado durante a gestação.
Além disso, problemas como déficit de atenção, julgamento e controle, instabilidade das emoções, perda do julgamento crítico, confusão, vertigens, desequilíbrio, dificuldade na fala e distúrbios podem, comprovadamente, advir do consumo de álcool em excesso. Casos extremos incluem inércia geral, vômitos, incontinência urinária, coma e até mesmo morte.
Todos esses efeitos, somados, causam brutal prejuízo às famílias, ao Estado e à sociedade como um todo.
Além dos conhecidos efeitos econômicos, advindos, sobretudo, das internações de doentes crônicos ou vítimas de acidentes e agressões, o álcool causa danos morais e sentimentais terríveis. Não obstante, parece que as pessoas não se dão conta do perigo, e a prática se amplia, em níveis assustadores.
Considerado pela Organização Mundial da Saúde como uma doença, o alcoolismo é um dos principais problemas de saúde pública no Brasil, onde cerca de 15% da população é dependente do álcool, a maioria homens jovens entre 18 e 29 anos.
O hábito vai-se espalhando, principalmente porque a substância está presente em quase todos os ambientes, especialmente em festas e comemorações, e seu uso é incentivado, divulgado, banalizado e propagado por jornais, revistas e televisão, Sr. Presidente, onde atletas de renome ou atores famosos são contratados com elevados cachês para tornarem a apresentação dessa droga algo atraente.
Fazendo parte do grupo das chamadas drogas lícitas, o álcool é consumido nos círculos familiares, e o acesso das crianças e jovens a essa droga é extremamente facilitado. Isso tem feito com que os níveis de consumo se elevem, sobretudo entre esses indivíduos. Estudos apontam que mais da metade das crianças entre 10 e 12 anos já experimentaram bebidas alcoólicas. A questão se faz ainda mais grave se considerarmos que o álcool é a porta de entrada para outras drogas.
Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em janeiro de 2009 aponta que, entre 2000 e 2006, a taxa de óbitos ligada ao consumo de álcool teve um crescimento de 18%. No período, o índice de mortalidade por doenças associadas ao alcoolismo subiu de 10,7 para 12,6 a cada 100 mil habitantes. De acordo com a pesquisa, foram registradas nesse período 146.349 mortes ligadas ao vício, e cerca de 64% desses óbitos estavam diretamente ligados ao consumo excessivo e poderiam ter sido evitados.
Há de se avaliar ainda que a pesquisa considerou somente os casos de doenças crônicas provocadas pelo alcoolismo. Se observarmos que até 30% dos homicídios e que entre 40% e 60% dos acidentes de trânsito têm relação com o vício, podemos concluir que o número de vítimas é significativamente maior!
O drama é de todos, e o combate há de ser tarefa de todos. Sem dúvida, reduzir os níveis de alcoolismo e os agravos a ele associados é enorme desafio. Daí, Sr. Presidente, a importância da Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo!
Essa data importante ocorre às vésperas de um dos eventos mais populares do País. O carnaval é a festa pagã que, tradicionalmente, é acompanhada pelo descontrole de algumas situações, entre elas o consumo excessivo de álcool, principalmente entre os jovens.
Peço, Sr. Presidente, apenas mais 1 minuto para concluir.
Faço aqui um apelo às famílias para que observem seus entes neste período e os aconselhem a não passar dos limites.
Que as pessoas que venham a consumir álcool durante a folia de Momo desistam da ideia de dirigir logo depois, passando o veículo a outra pessoa sóbria ou utilizando o serviço público de transporte.
Que esse seja um carnaval onde haja um período, pelo menos, de relativa tranquilidade, sem excessos, e que a desgraça não abrace a família brasileira; que as atividades da Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo se estendam por toda parte; que essa prática se repita ano após ano; e que as reflexões se alastrem e se prolonguem, até que se derramem menos lágrimas e haja menos dor com perdas de vida ou desestruturação de famílias em nosso País.
Muito obrigado, Sr. Presidente. E que Deus abençoe o Brasil!

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