Desigualdade na pesca do atum na costa brasileira preocupa deputado

Parlamentar afirmou que arrendamentos de barcos japoneses devem ser revistos

O deputado federal e vice-presidente da União dos Trabalhadores (UGT), Roberto de Lucena, ocupou a tribuna da Câmara para mostrar sua preocupação com o arrendamento de barcos pesqueiros japoneses por empresas brasileiras para a pesca de atum, o que estaria acabando com as reservas dessa espécie na faixa oceânica do Brasil. A situação veio à tona com a matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo do último domingo (19/08).

Segundo o deputado, o arrendamento também estaria tornando a pesca desigual com as pequenas embarcações dos pescadores brasileiros. “Do ponto de vista ambiental, o Brasil é considerado um santuário, pois esse tipo de pesca foi pouco explorado no País se comparado a outras regiões do mundo. Do ponto de vista econômico, devido aos altíssimos preços do atum no mercado internacional e à sua escassez no mundo, a pesca nas águas brasileiras é motivo de cobiça. Ou seja, ao mesmo tempo em que o excesso de pesca ameaça o peixe de extinção, os preços do atum batem recordes no mercado mundial”, alegou o deputado durante seu pronunciamento na Tribuna da Câmara nesta terça-feira (21/08).

Roberto de Lucena disse ainda que a forma de trabalho do pescador brasileiro, muitas vezes artesanal, é menos prejudicial à natureza: “É sofrido o trabalho dos nossos pescadores. Eles não possuem modernos frigoríficos e todos os dias realizam uma verdadeira maratona entre a área de pesca e o porto, a fim de manter o peixe acondicionado no gelo e descarregá-lo”.
Em contrapartida, o parlamentar informou que ou outros países que buscam o peixe na costa brasileira inexplorada, com seus navios modernos com capacidade de pesca maior, prejudicam, em termos ambientais, a capacidade reprodutiva desses peixes e, em termos econômicos, a cadeia produtiva de pesca no Brasil. “Precisamos encontrar o meio termo, o equilíbrio dessa situação, melhorar as condições dos que realizam a atividade pesqueira no Brasil e analisar, em face do atual cenário econômico e também ambiental, as condições para realização da pesca na costa brasileira. O arrendamento de embarcações estrangeiras por empresas brasileiras, que a partir de 1998 foi autorizado com a publicação do Decreto nº 2.840, por prazo indefinido, precisa ser reavaliado com toda a atenção que o assunto merece”, ponderou.

O deputado encerrou seu pronunciamento dizendo que a pesca em alto-mar é por trabalhadores corajosos e determinados. “Diante dessa desigualdade injusta, nosso pescador é vulnerável e é mais do que dever do Estado dar a ele, no mínimo, a condição de concorrer de maneira equilibrada com esses gigantes poderosos da pesca. É com coragem, sabedoria e serenidade, qualidades dos nossos pescadores, que devemos enfrentar essas questões”, concluiu.

 

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