Roberto de Lucena faz relato da visita de missão oficial da Casa ao Estado do Mississipi, nos EUA, e aborda o engajamento em campanha mundial liderada pela United Auto Workers – UAW, entidade sindical norte-americana, em apoio aos trabalhadores da planta da Nissan em Canton, Mississipi

Sr. Presidente, Sras. Deputados, Srs. Deputados, o Mississipi é um dos Estados mais pobres dos Estados Unidos. Tem o PIB mais baixo daquele país. É emblemático na perspectiva da luta pelos direitos civis dos negros e outras lutas sociais. Lá está um povo absolutamente impressionante.
Estive no Mississipi na semana passada, em missão oficial da Câmara dos Deputados. Minha missão levou-me à Câmara dos Vereadores de Jackson, levou-me ao Capitólio Estadual e a um encontro do qual participou uma comitiva de dirigentes sindicais liderada pelo Presidente da União Geral dos Trabalhadores, a UGT, Sr. Ricardo Patah, com dirigentes sindicais da UAW, uma das maiores organizações sindicais dos Estados Unidos, liderados pelo seu Presidente, Mr. Bob King, e trabalhadores da planta da Nissan em Canton.
Lá, Sr, Presidente, deparamo-nos com uma luta renhida, desigual, dos trabalhadores da Nissan. São cerca de 4.500 trabalhadores. Desses, 40% são trabalhadores temporários.
Aqui no Brasil o trabalhador é protegido por uma legislação trabalhista que precisa ser melhorada, aprofundada, mas é uma legislação avançada, e os temporários ficam nessa condição por no máximo 90 dias, sendo que a partir disso são efetivados ou desligados. Na Nissan do Mississipi, trabalhadores permanecem temporários por 6 anos, 7 anos, recebendo metade do salário dos efetivos e não sendo contemplados com diversos benefícios, inclusive a condição de uma carga horário de trabalho fixa e justa.
Esses trabalhadores têm buscado organizar-se em sindicato para assim abrirem a discussão acerca de seus direitos e das condições de trabalho com a direção da empresa, só que a direção local da Nissan tem empreendido todos os esforços para impedir os trabalhadores de exercerem esse direito mínimo de se organizarem, por motivos óbvios. Têm esses trabalhadores sido pressionados, têm tidos os seus empregos ameaçados, têm sido inclusive ameaçados de que se conseguirem o intento de se organizar em sindicato a Nissan encerrará as suas atividades no local e fechará a planta.
Sr. Presidente, o direito ao trabalho digno, ao emprego, deveria ser um direito inalienável, garantido constitucionalmente. Esse verdadeiro terrorismo contra os trabalhadores da Nissan é algo absolutamente horroroso.
E o que temos a ver, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, com esse problema dos trabalhadores da Nissan em Mississipi, nos Estados Unidos? Afinal, são tantos os nossos problemas, os problemas inclusive dos trabalhadores brasileiros!

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