Pronunciamento de Roberto de Lucena sobre a indignação do povo brasileiro com os escândalos de corrupção

Sr. Presidente, ilustre Deputado Amauri Teixeira, Sras. e Srs. Deputados, num passado histórico não tão distante, vi o Brasil estremecer diante da revolta pacífica das multidões de jovens que pintaram o rosto e tomaram as ruas para protestar contra a corrupção.
Aqueles jovens sabiam bem o que queriam e atingiram o seu objetivo. Transformaram o gemido afônico ouvido em cada lar num poderoso brado que foi ouvido em toda a Nação e em todo o mundo, inclusive nos portentosos palácios. Eles impuseram ao sistema uma mudança no curso nunca dantes vista em nossa história.
Quem viu os caras-pintadas naquela luta, que talvez em importância seja superada apenas pela luta do Diretas Já, teve certeza de que o Brasil nunca mais seria o mesmo. E o Brasil mudou!
O tempo passou, Sr. Presidente. O tempo passou, e os caras se transformaram em coroas. Algo, no entanto, incomodou-me nos últimos anos. Incomodou-me o que a mim pareceu uma acomodação.
Vimos o País ser sacudido por vários escândalos de corrupção relacionados a pessoas ligadas ao poder. E parecia que o Brasil havia perdido sua capacidade de reação, a sua sensibilidade. Parecia que o Brasil havia desistido dele mesmo. Mas, Sr. Presidente, no dia 7 de Setembro, dia em que comemorávamos a Independência do País, esse silêncio foi quebrado. Os caras-pintadas voltaram. Estavam, lado a lado, novos caras e coroas pintados, de nariz de palhaço, balde e vassouras em punho, pedindo que o Brasil promovesse sua própria limpeza, clamando contra a corrupção.
Ocupo esta tribuna mais uma vez para celebrar a capacidade de reação do povo brasileiro, a capacidade de indignação do povo brasileiro, diante da corrupção. Comemoro, Sr. Presidente, a volta dos caras e coroas pintados.
Sras. e Srs. Deputados, esta Casa do Povo, instância maior do Poder Legislativo Nacional, precisa estar sintonizada com essa indignação. A corrupção deve ser eleita, definitivamente, a inimiga número 1 do País e desta Casa, assim como a sociedade brasileira já fez para si essa eleição. O combate à corrupção está intimamente ligado ao combate à fome, à miséria, que tem sido uma missão levada a sério pelo nosso Governo.
Certamente, a cada batalha vencida contra a corrupção teremos mais recursos públicos colocados a serviço de todos e, especialmente, dos que mais necessitam. A corrupção sequestra o bem de todos e os põe a serviço de poucos. A cada ano, impressionantes quantias são desviadas para esse duto. A corrupção deve ser crime inafiançável! Não cabem discursos tomados de hipocrisia e falso moralismo. Devemos potencializar os instrumentos de transparência e os expedientes legais necessários.
Quero aqui, ainda, reafirmar a minha confiança na condução dada pela Presidenta Dilma Rousseff ao processo de enfrentamento à corrupção e na maneira sempre firme com que tem reagido a cada nova situação que se apresenta, independentemente de quem sejam as pessoas envolvidas. Enquanto merecer a nossa confiança, a Presidenta Dilma terá aqui nesta Casa o meu apoio irrestrito, incondicional e, certamente, também o apoio de nossa bancada e de nosso partido.
As minhas convicções, Sr. Presidente, têm-me trazido a esta tribuna para unir a minha voz à voz de outros Parlamentares que aqui estão, aqueles que aqui chegaram comigo e aqueles que já estavam nesta Casa bem antes da minha chegada, empunhando as bandeiras de suas lutas por um Brasil mais justo e ético.
Agora, sinto-me renovado em minhas forças, animado. O Brasil não dorme mais em berço esplêndido. Ele acordou! Levantou-se, Deputado Lincoln Portela, e mandou uma clara mensagem a todos: quer progresso, mas quer ordem, até porque não existe progresso de verdade sem ordem de verdade.
Tolerância zero contra a corrupção!
Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.
Que Deus abençoe o Brasil!

 

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