Marcha para Satanás: O que a igreja deve fazer diante disto?

Roberto de Lucena

Por Roberto de Lucena
Entre críticas, ironias e até mesmo elogios, vem ganhando importantes proporções nas mídias sociais o advento da “Marcha para Satanás”, programada para acontecer em São Paulo no domingo, dia 17 de janeiro, propondo-se a ser, segundo a organização do evento, em sua página oficial do Facebook, “apenas um protesto irônico contra a influência religiosa em todas as esferas do Estado “laico”.
Nos últimos anos, tivemos diversos exemplos de protestos contra o suposto “fundamentalismo religioso”, que soaram como grandes ofensas. Entre eles podemos citar a chamada “Marcha das Vadias”, em julho de 2013, que acabou invadindo a Jornada Mundial da Juventude, promovida pela igreja católica no Rio de Janeiro, e chocou o País com cenas que envolveram símbolos religiosos como o crucifixo, em atos de aberração e extremo desrespeito a fé de grande parte da população brasileira.
Houve também o “protesto” realizado por duas feministas em frente a igreja católica da Candelária, em outubro de 2014, no qual as duas se beijaram, seminuas, simulando que estariam crucificadas. Posteriormente, em 2015, Sara Winter, uma das ativistas, chegou a assumir que o ato foi um exagero e pediu perdão aos cristãos pela falta de respeito.
“Protestos” que visam combater esse suposto “fundamentalismo religioso” com iniciativas que simplesmente visam a polêmica por si só não perduram e apenas chamam a atenção da mídia por alguns dias. Porém as ofensas à fé das pessoas são a verdadeira manifestação da intolerância e da beligerância, e suas marcas podem ser profundas.
O que fica claro para mim é que os organizadores desse evento não são satanistas. Os verdadeiros satanistas devem ter ficado surpresos, e riem deles. Eles de fato desconhecem as possíveis consequências espirituais implicadas numa ação como essa.
Parece ser para eles, pelo menos a princípio, algo tal e qual aquelas brincadeiras colegiais com potencias espirituais, que nunca terminam bem.
Tudo isso é tão contraditório que para criticar a influência religiosa no Estado utilizam a figura de uma potência espiritual.
O direito à liberdade de expressão e à livre manifestação no qual se ancoram essas pessoas para a realização dessa “Marcha” é fundamento legal e compreende um aspecto da democracia cujo preço elevado foi pago à custas de prisões e de perseguições impostas a muitos no passado, dentre os quais, inclusive, diversos líderes cristãos.
Longe de mim questionar o exercício de um direito civil, garantido pela nossa Constituição; no entanto permito-me alertar para o uso racional absolutamente questionável desse direito em promover uma manifestação para “questionar o direito” de outros cidadãos brasileiros que são cumpridores de seus deveres para com o Estado e que levam consigo a sua fé e as suas convicções quando fazem a discussão de País.
Permito-me alertar para o fato de que haverá implicações espirituais para os envolvidos e para o Brasil, mesmo que se trate, antes de tudo, de uma grande “ironia”, como definem os organizadores – uma “brincadeira”, onde tudo, inclusive as sugestões que pretendem fazer para que alguns irmãos se suicidem, não passa de “brincadeira de mal gosto”.
Lamento também que tenham escolhido São Paulo, a capital bandeirante, com seu espírito de vanguarda e sua alma sempre tão generosa que a todos a acolhe, independentemente do credo, religião, cor, condição socioeconômica, origem, raça, etc.
Sobre a questão do Estado Laico, precisamos lembrar que somos um Estado laico, mas não somos um Estado ateu. Ao se declarar laico, o Estado brasileiro, reconhece justamente a importância da diversidade religiosa e também a influência positiva que a religião pode ter na sociedade, e aqui, no mesmo status das liberdades mencionadas a pouco está a liberdade religiosa, que igualmente defendo.
Como membro do Painel de Parlamentares para a liberdade de religião ou crença no mundo, a liberdade de culto e expressão religiosa, seja ela qual for, tem sido uma das causas pelas quais tenho lutado incansavelmente. É um direito humano fundamental.
Concluo, provocando a todos os cristãos brasileiros, a que nos unamos em oração pelo Estado de São Paulo, pelo Brasil e pelas famílias, no próximo dia 17 de janeiro. Esse será o nosso protesto contra essa Marcha, na forma de um grande clamor a Deus, com o sentimento de amor e de misericórdia, pois mesmo que esse evento organizado não venha a assumir um caráter espiritual, é uma tentativa de cercear o papel social exercido pela religião, uma temeridade em todos os seus aspectos.
Que Deus nos abençoe e ao Brasil!
Roberto de Lucena – pastor da Igreja O Brasil Para Cristo, deputado federal licenciado, secretário de Turismo do Estado de São Paulo, secretário da Frente Parlamentar Mista para Refugiados e Ajuda Humanitária (FPMRAH), membro do International Panel of Parlamentarians for Freedom of Religion or Belief – IPP (Painel Internacional de Parlamentares para a liberdade de Religião ou Crença).

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