Deputado Roberto de Lucena pede perdão ao povo italiano pela decisão do STF de não extraditar Battisti

Deputado Roberto de Lucena pede perdão ao povo italiano pela decisão do STF de não extraditar Battisti

 

O Deputado Federal Roberto de Lucena fez uso da Tribuna na última sessão, sexta-feira, dia 22 de junho, para pedir perdão ao povo italiano e aos familiares das vítimas de Cesare Battisti pela decisão do STF de ratificar o posicionamento do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em não extraditá-lo para a Itália,onde foi condenado pela justiça por quatro homicídios.

 
Lucena criticou a decisão do STF e disse compreender o sentimento de mágoa do povo italiano em relação ao Brasil por causa desse episódio, o parlamentar externou ainda sua preocupação em relação aos vários incidentes ocorridos envolvendo italianos e brasileiros naquele país.

 
“O Supremo Tribunal Federal cometeu mais um equívoco ao não extraditar Battisti, contribuindo para a construção de um clima de constrangimento diplomático que compromete nossa imagem, internacionalmente, e poderá nos levar à Corte, além das sanções, boicotes e restrições que a Itália está ameaçando adotar em relação ao Brasil”, afirmou o deputado.

 

 

Confira na íntegra o pronunciamento de Roberto de Lucena.

“Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,

o assunto que me traz de volta a esta tribuna é a polêmica e questionável decisão do Supremo Tribunal Federal pela não extradição de Cesare Battisti e as reações a essa decisão no Brasil, na Itália e em outros países.Não é segredo para ninguém que a Itália pretende ir às últimas consequências contra o Brasil por não ter extraditado Cesare Battisti. A primeira reação do Governo italiano veio dois dias depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal, quando o Ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, convocou o retorno do seu embaixador em Brasília, Gherardo La Francesca, a Roma.

Registro que, além das manifestações do Governo da Itália, que já afirmou que vai acionar o Brasil no Tribunal Internacional de Haia, outras autoridades também estão protestando. Como exemplo, cito que uma Prefeitura da Itália rompeu convênio com uma cidade de Santa Catarina.

A confirmação da não extradição de Battisti para a Itália alcançou o campo esportivo. Autoridades do país europeu já cogitaram a hipótese de a seleção italiana boicotar a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil.

Houve outro fato na área esportiva. O Ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, disse no último dia 20 de junho que, devido ao caso de Cesare Battisti, está analisando a participação dos oficiais do país nos Jogos Mundiais Militares, que vão ocorrer no Rio de Janeiro. “Estou verificando a eventual participação dos nossos militares no evento que acontecerá em breve, o campeonato mundial militar”, disse o Ministro, que definiu a libertação de Battisti como “inaceitável e inconcebível”.

Mas é bom que se registre, Sr. Presidente, que o povo italiano nas ruas também se manifesta contrário à decisão do Brasil. A plateia que assistia a uma partida do Campeonato Mundial de Vôlei de Praia resolveu protestar jogando laranjas na dupla brasileira Emanuel e Alison, que jogava contra os dinamarqueses Soderberg e Hoyer em uma partida em Roma.

Entre todas as retaliações já protagonizadas por autoridades italianas contra o Brasil, a mais grave até agora veio do Ministério de Infraestrutura e Transportes daquele país. O Vice-Ministro daquela Pasta, Roberto Castelli, afirmou nos últimos dias que não vai assinar um acordo no setor de transporte aéreo com o Brasil. “O Brasil não terá nunca a minha assinatura”, disse Castelli, ao participar de reunião do Conselho de Ministros de Transportes da União Europeia.

Segundo ele, o gesto “é um pequeno, mas significativo, exemplo de protesto contra um país que demonstrou não ter nenhum respeito pela Itália”. Castelli explicou que já conversou com o Ministro da Pasta, Altero Matteoli, e com Franco Frattini, Chanceler italiano, sobre sua decisão. Agora, cabe ao Governo italiano e ao Ministério das Relações Exteriores decidir sobre a validação do acordo aéreo.Sr. Presidente, tudo isso poderia ter sido evitado. O Governo italiano já tinha avisado e sinalizado seu descontentamento com a decisão do Presidente Lula em negar a extradição. E perguntou: “Por que o Supremo insistiu em manter esta situação?” Mas é bom que se lembre que a decisão da Suprema Corte não foi unânime – três Ministros votaram a favor da extradição.

Sr. Presidente, nobres Parlamentares, há tantas perguntas sendo feitas a mim nesses últimos dias para as quais não tenho resposta.Quero registrar outra preocupação. Temo que os brasileiros que estejam morando na Itália passem por constrangimentos em atos de protestos e manifestos contra a decisão do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, chamo a atenção desta Casa a ficar atenta a essa situação delicada, preocupante.

Por fim, Sr. Presidente, termino meu pronunciamento mais uma vez manifestando minha solidariedade ao povo italiano e pedindo perdão às famílias das vítimas do assassino Cesare Battisti pela decisão do Supremo Tribunal Federal em manter em nosso território, e livre, um homem condenado pelo assassinato de quatro pessoas na Itália.

Sr. Presidente, era o que eu tinha a dizer.

Que Deus abençoe o Brasil!”

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