Julgamento do Mensalão é tema de discurso do deputado Roberto de Lucena

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, hoje tem início o desfecho do julgamento do que, se não foi uma das maiores crises políticas da história brasileira, sem dúvida foi um dos seus capítulos mais sombrios. Essa crise produziu um inquérito de 77 volumes e de mais de 13 mil páginas. São cerca de 600 testemunhas.
Refiro-me, Sr. Presidente, à crise do mensalão, que assim foi denominada, pela primeira vez, por periódico de grande circulação nacional, em 6 de junho de 2005, a Folha de S.Paulo.
Nesse que será um dos julgamentos mais longos de sua história, o Supremo Tribunal Federal fará analise do caso que envolve 38 réus acusados de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, peculato e formação de quadrilha.
Mais do que o julgamento dos réus, é o julgamento da política brasileira. E não se trata de um julgamento político, mas do julgamento da política. O que está no banco dos réus, ilustre Deputado Amauri Teixeira, não são apenas indivíduos, mas, a partir desse caso, a maneira inaceitavelmente equivocada de construir processos políticos neste País.
Sr. Presidente, por meio de uma rápida pesquisa na Internet, podemos encontrar, infelizmente, uma lista de grandes casos de corrupção, em que são enumerados, com detalhes, mais de 60 escândalos políticos no Brasil, da década de 70 até hoje.
O Brasil, a República, a democracia não suportam mais, em nenhum sentido, a continuidade desse ciclo do mal, onde “vale tudo” e “de tudo” para a conquista ou a manutenção de um projeto de poder. Não é possível que não tenhamos tirado uma lição desses acontecimentos.
Manifesto aqui a minha confiança na autonomia, na independência e na competência do Judiciário brasileiro. As instituições sérias deste País, Sr. Presidente, não se devem curvar a qualquer poder ou agente político comprometido com a corrupção.
A mobilização da sociedade em torno daquilo que é lícito, ético, de forma crítica em relação ao que ocorre no poder político, na esfera pública, na área privada, no dia a dia de cada um de nós, impõe a diminuição da corrupção.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, sem qualquer falso moralismo, até porque tenho muita dificuldade em alinhar-me com o tom daqueles que se propõem a ser paladinos da ética e da moralidade, digo que não podemos afiançar um modelo de fazer política que se alimenta da corrupção. Não podemos dar espaço para a apropriação privada daquilo que é público.
Não julgo. Não condeno. Essa competência não é minha, não é nossa. Essa competência é dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. No entanto, negar que algo estranho e errado aconteceu em todo esse imbróglio parece-me um erro ainda pior e maior. Os fatos trazidos à tona, devidamente esclarecidos, certamente avaliados, serão, neste momento, julgados na apropriada esfera de competência.
Espero, Sr. Presidente, que o desfecho desse episódio culmine com o fortalecimento da democracia, do Estado e de suas instituições, da sociedade e de suas representações.
Que o Brasil seja definitivamente passado a limpo, que cada cidadão deste País se orgulhe de ser brasileiro e que a justiça seja feita!
Que Deus abençoe o Brasil!
Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente.
Muito obrigado.

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