Frente Parlamentar da Luta Contra a Endometriose é instalada na Câmara

Frente Parlamentar da Luta Contra a Endometriose é instalada na Câmara

 

A Frente Parlamentar da Luta Contra a Endometriose, presidida pelo deputado federal Roberto de Lucena (PV-SP), foi instalada nesta terça-feira (27/08) na Câmara dos Deputados, em Brasília. A frente traz para o Congresso Nacional a grave realidade da falta de políticas públicas de saúde para o tratamento, no Brasil, da doença que provoca consequências graves para a vida e a saúde da mulher, entre elas a infertilidade.

A mesa diretora da Frente será composta pelos deputados Sandra Rosado (PSB/RN), vice-presidente da Frente Parlamentar; Alexandre Roso (PSB/RS), 2º vice-presidente; Marcos Montes (PSD/MG), 3ª vice-presidente; Carmem Zanotto (PPS/SC), primeira secretária; Antonio Brito (PTB/BA), segundo secretário, e pelo deputado Dr. Ubiali, que será o terceiro secretário.

Entre os objetivos da Frente Parlamentar está a união de esforços entre o Parlamento e a sociedade civil para  gerar a conscientização do Governo Federal sobre o impacto da endometriose na vida das brasileiras e da sociedade como um todo. “A frente quer chamar a atenção do Poder Publico e tirar a endometriose do anonimato”, disse o deputado lembrando que esta é uma primeira ação para ajudar as portadoras que não tem um plano de saúde ou não tem recursos para recorrer a médicos renomados do País.  O deputado aproveitou o momento para fazer um agradecimento especial ao trabalho da presidente do Portal  Informação e Apoio às Portadoras de Endometriose, (IAPE) Cláudia Vasconcelos. “Ela tem sido uma guerreira nesta luta”, disse.

Segundo a deputada Sandra Rosado, o trabalho da frente também terá como foco a busca de soluções para que as brasileiras tenham mais acesso ao diagnóstico e ao tratamento correto da endometriose tanto nos hospitais públicos como na rede privada de saúde.

O deputado Marcos Montes, que também é médico, ressaltou que é sabido que o Sistema Único de Saúde (SUS) não está preparado para diagnosticar rapidamente e atender a portadora de endometriose com efetividade. “Temos uma mulher ocupando a cadeira da Presidência da República e, mais do que nunca, a hora é oportuna para mostrar ao Brasil que a endometriose é uma doença séria e grave que vem aniquilando, silenciosamente, milhares de brasileiras”, desabafou.

Integrante da Frente, o deputado Dr. Ubiali, que também é medico, lembrou que a Câmara dos Deputados é “uma pequena biopsia da sociedade”.  Segundo ele, a Casa é o foro adequado para repercutir e discutir com responsabilidade os assuntos de interesse da população. “Apoio este trabalho e vou batalhar, ao lado das portadoras da doença e junto com a Frente Parlamentar, pelo reconhecimento desta causa”, garantiu.

Seminário

Antes do lançamento da Frente Parlamentar, a deputada Sandra Rosado promoveu o seminário “O que é a Endometriose”.  Durante o evento, as características clínicas, como sintomas, diagnósticos e o tratamento da doença; os aspectos sociais e econômicos da endometriose, bem como a insuficiente formação do médico cirurgião, foram temas debatidos pelo presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), Professor/Doutor Maurício S. Abrão; pelo Supervisor do Programa de Residência Médica em Reprodução Humana do Hospital Regional da Asa Sul do Distrito Federal, Professor/Doutor Frederico José Silva Corrêa; pelo Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;  Alysson Zanatta; e pelo Diretor do Núcleo de Endoscopia Ginecológica e Endometriose do Centro de Referência da Saúde da Mulher – Hospital Pérola Byington (SP), Doutor Luciano Gibran.

Maurício Abrão, durante sua palestra, além de ter conceituado a doença e mostrado os aspectos sociais e econômicos da endometriose, colocou-se à disposição para ajudar nos trabalhos da Frente  Parlamentar. “Como defendo esta bandeira há anos, estou pronto para ajudar o Governo em uma ação robusta que realmente proponha diagnóstico e tratamento dignos às pacientes de endometriose”, garantiu lembrando que este deve ser um trabalho sério e urgente. “Não podemos mais esperar. A endometriose já é um problema de saúde pública”, enfatizou o presidente da SBE.

Na visão do Doutor Alysson Zanatta, que abordou detalhadamente a endometriose profunda, é preciso vencer três desafios contra a doença: entender os mecanismos e a evolução da endometriose, diagnosticá-la correta e precocemente e utilizar as ferramentas eficazes (recursos humanos e materiais) para o tratamento da paciente. “Se não fizermos isso, será um trabalho infrutífero, sem resultados satisfatórios”, disse frisando que a endometriose profunda não é uma doença que se trata com medicação.

Segundo o ginecologista Luciano Gibran, o tratamento da endometriose deve ser individualizado e os exames são imprescindíveis para o correto diagnóstico, a localização dos focos e o grau de acometimento dos órgãos. “A infertilidade é uma consequência da endometriose, mas não podemos ignorar queixas como dores pélvicas, lombares e cólicas incapacitantes”, frisou ressaltando que não se tolera mais chamar de “manhosa” a mulher que se afasta do trabalho, dos estudos e do convívio social por causa de cólicas menstruais. “Isso precisa ser investigado”, defendeu.

Para mostrar as falhas e deficiências na formação do médico cirurgião de endometriose profunda, o doutor Frederico Corrêa finalizou o seminário informando que as poucas horas do tema “endometriose” lecionado nas universidades e faculdades brasileiras são insuficientes para a formação adequada do médico cirurgião. Ele contou sua experiência e falou do que tem assistido sobretudo na rede publica de saúde.  “No Brasil, existem poucos cirurgiões capacitados para a endometriose profunda”, disse salientando que as pacientes com endometriose intestinal não estão sendo operadas na rede publica hospitalar do Distrito Federal.

Na medicina, a endometriose é definida como a presença, fora do útero, de tecido semelhante ao endométrio, causando uma reação crônica e inflamatória e está associada à dor, subfertilidade e qualidade de vida prejudicada. Essa condição é encontrada, principalmente, em mulheres em idade reprodutiva, de todos os grupos étnicos e sociais.

 

 

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