Deputado ocupa a tribuna para manifestar sua preocupação com o aumento da violência nas escolas

Sr. Presidente Izalci, Sras. e Srs. Deputados, neste apagar das luzes do ano legislativo, faço, desta tribuna, menção a um tema que não tem como ser abordado sem constrangimento: o aumento, a escalada da violência nas escolas em todo o País.
Deputada Carmen Zanotto, este é um assunto em que V.Exa. também tem estado envolvida: a violência que afeta a criança.
Aqui já estive para lamentar tais casos de violência, para lamentar tragédias como aquelas que têm marcado as nossas escolas. Atos violentos têm sido praticados sobretudo contra crianças indefesas.
É um problema para todos nós que, após esses acontecimentos, a repercussão deles ganhe prazo de validade. No máximo 3 ou 4 meses depois, quando muito, já não existem mais nos noticiários informações sobre esses casos. E a disposição das autoridades para buscar a solução, Deputada Carmen Zanotto, parece que vai diminuindo à medida que os holofotes da mídia vão objetivando outros focos.
Para combatermos a violência nas escolas, todos precisamos nos mobilizar e, assim como no enfrentamento de outras questões, devemos pensar globalmente e agir localmente.
Precisamos, nobres pares, senhoras e senhores, investir num sistema educacional que promova a diminuição da violência dentro e fora das escolas. Este tem sido, nesta tribuna, o nosso insistente e veemente apelo.
Em alguns casos, tragédias que chocaram o Brasil e o mundo, como a de Realengo, no Rio de Janeiro, podem se repetir. Surpreendente tem sido o aumento dos casos, em todo o País, em que adolescentes têm sido flagrados armados na escola. Isso ocorre, Presidente Izalci, em todas as regiões do País.
No mês de setembro, no meu Estado, São Paulo, na cidade de São Caetano, que é uma cidade com elevado IDH, uma professora foi baleada por um aluno de 10 anos, que logo em seguida se matou.
O que vamos esperar mais? Que mais casos como esse ocorram em nosso País? Que eles virem notícia por 1 semana ou por 1 mês e depois caiam no esquecimento? Deputada Carmen, quem mais fala em Realengo? Quem mais fala da tragédia de São Caetano? Voltaremos a falar quando as próximas tragédias acontecerem.
Que possamos ter a coragem de assumir nossa parte de responsabilidade e agir o tempo todo, não em um dia no calendário nacional, mas o tempo todo, fazendo o devido enfrentamento à violência e ao bullying nas escolas.
Quero, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, lembrar que estamos nos aproximando do Natal, que é festa de família, festa de confraternização em que impera a alegria. Mas, infelizmente, muitas famílias, a exemplo das famílias de Realengo, não terão muitos motivos para comemorar o Natal neste ano. Cadeiras que até o ano passado estavam ocupadas por crianças de 9, 10, 11 anos ficarão vazias neste Natal.
Na semana passada, uma das mães que perdeu uma filha em Realengo me telefonou, e havia uma tristeza profunda, aguda, na sua voz. Ela me dizia que, com a proximidade do Natal, a tristeza e a saudade de sua filha só aumentavam, porque era essa criança, Deputada Teresa, que a ajudava decorar a casa no Natal, a escolher a árvore, a selecionar as músicas. Que tipo de consolo eu poderia oferecer a essa mãe? Que palavras? Que recurso?
Nesse sentido, quero, desta tribuna, mandar um abraço especial às famílias de todo o País que de alguma forma foram vítimas de violência nas escolas. Quero me solidarizar com cada uma delas. Quero que recebam o meu abraço. Com esse abraço, em nome da minha netinha, a Srta. Lívia, de 4 anos de idade, quero reafirmar o compromisso de continuar, nesta Casa, ao lado de V.Exas., Deputada Teresa, Deputada Carmen, Presidente Izalci, nobres colegas que aqui estão, a nossa luta pelo combate à violência nas escolas, à violência doméstica, ao bullying, para que outras famílias não venham a passar por esse sofrimento.
Conclama mais uma vez esta Casa a que nos disponhamos ao enfrentamento da cultura da violência, cultura da violência que é crescente em nosso País e tem resultado na violência contra a mulher, como a que ceifou a vida da nossa colega Juliana, uma jovem alegre, simpática, agradável, trabalhadora, de 27 anos, brutalmente assassinada pelo seu companheiro na frente de seus três filhos, de 9, 11 e 15 anos; na violência contra a criança; na violência contra o idoso.
Concluo este pronunciamento desejando que o ano de 2012 seja, acima de tudo, o ano da paz, em que haja o compromisso máximo desta Casa de trabalhar para que, com equilíbrio, bom senso, com a responsabilidade daqueles que exercem o mandato em nome do povo, com coerência, com sensibilidade, sejamos agentes promotores dessa paz. Que nós tenhamos e possamos viver a paz nas escolas, empurrando para fora das escolas, empurrando para longe das nossas crianças e adolescentes essa violência que cresce em nosso País de maneira constrangedora.
Que o Brasil tenha, em 2012, paz! Que as nossas escolas tenham paz!
Que Deus abençoe as senhoras e os senhores! Que Deus abençoe as crianças de todo o Brasil! Que Deus abençoe o Brasil!
Muito obrigado, Sr. Presidente.

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