Deputado lembra o Dia das Crianças e faz homenagem aos Anjos de Realengo

Sr. Presidente, agradeço ao ilustre Deputado Paes Landim a generosidade pela concessão.
Sras. e Srs. Deputados, amanhã, dia 12 de outubro, é comemorada uma das mais lindas datas do calendário nacional: o Dia da Criança. Eu não poderia deixar de fazer, neste momento, uma homenagem, por meio da senhorita Lívia, minha netinha de 4 anos de idade, a todos os pequenos cidadãos brasileiros.
Faço questão de render minhas homenagens a um grupo muito especial de crianças que ficaram conhecidas no Brasil como Anjos de Realengo.
Quero enviar meu abraço a todas as crianças sobreviventes do massacre em Realengo, em especial aos meus amigos queridos Mateus, Luan e Taiane.
Estendo meu abraço às famílias das 12 crianças que não sobreviveram. Sei que para elas esta será uma data triste. Será o primeiro Dia da Criança sem seus filhos queridos. A essas famílias, minha solidariedade; a elas, minhas orações.
Não há, Sr. Presidente, quem não se comova com o sorriso de uma criança. Com sua ingenuidade, pureza e sinceridade, esses pequenos são reflexos da obra divina.
As crianças são fonte de inspiração para que busquemos em nossas ações caminhos que favoreçam o bem comum e a perpetuação de nossa espécie.
Gostaria que esse discurso fosse um grande relatório do bem, em que pudéssemos tão somente celebrar as vitórias da nossa geração e do nosso povo no propósito de oferecer às nossas crianças um País melhor e um mundo melhor do que aquele que encontramos, mas ainda, lamentavelmente, não completamos o dever de casa.
Existem vários Brasis dentro do nosso Brasil. Um desses Brasis é o País que algumas pessoas querem acreditar e fazer acreditar que existe – O Brasil de Alice. O outro é o Brasil real, é o Brasil que existe de fato. É neste Brasil que vivemos e é este País que precisamos ver justo, próspero, livre das drogas, da corrupção, do crime, com oportunidades iguais para todos de acesso à educação, ao emprego e à ascensão social.
Muitas crianças ainda estão fora da escola, um triste começo de vida, já que é por meio da educação que elas podem ter o senso crítico e a cultura desenvolvidos, que podem ter uma formação e uma profissão, garantindo sua subsistência e de seus descendentes.
Muitos dos que buscam uma vaga na rede de ensino público entram, a priori, não na perspectiva de um futuro melhor, mas por causa da merenda – às vezes, a única refeição que terão naquele dia.
Além de estar fora da escola, muitos brasileirinhos estão sem cidadania. Sem registro civil, ficam de fora dos programas sociais e dos direitos que todo cidadão deve ter.
Sem cidadania e sem dignidade, muitas crianças enfrentam, com sua ingenuidade, a precariedade de viver em favelas, dividindo espaço com esgoto a céu aberto, insetos e ratos.
As doenças de pele e desnutrição tiram a vida de muitos meninos e meninas que poderiam estar, hoje ou no futuro, contribuindo para que o Brasil se torne uma grande potência em todas as áreas.
Ainda nos espantamos com tradições – eu peço, Sr. Presidente, apenas 1 minuto para concluir essa linha de raciocínio – que nos remetem aos tempos primitivos. Centenas de crianças já perderam a vida por conta de uma prática abominável: o infanticídio nas aldeias indígenas brasileiras.
Caso a criança nasça com algum tipo de deficiência física, ou filho de mãe solteira, ou gêmea, é eliminada por seu povo. Em muitas situações são sepultadas vivas.
É preciso que façamos algo para impedir que a cultura não sobrepuje a vida. A vida é um dom de Deus e só a Ele cabe o seu destino e julgamento, Deputado Padre Luiz Couto.
Já solicitei pessoalmente à Presidenta Dilma Rousseff apoio nessa luta contra o infanticídio indígena, e ela se demonstrou bastante sensibilizada, pondo-se imediatamente a encaminhar aos Ministérios envolvidos a questão que a ela levamos.
Aliás, aqui faço justiça à nossa Presidenta Dilma Rousseff, reconhecendo o seu esforço no combate à miséria e no empenho pela inclusão social.
Finalmente, a melhor maneira de nós, Deputados, homenagearmos as crianças é que esta Casa garanta e fiscalize os direitos já conquistados e, por meio das leis, propicie ao Brasil um desenvolvimento consistente, com justiça social e igualdade.
Este é o anseio da sociedade. É o dever que temos com nossas consciências. É a oração do candango José Silva Guerra, escrita no teto do Salão Verde da Câmara dos Deputados em 22 abril de 1959: “Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham compaixão dos nossos filhos e que a lei se cumpra.”
Vivam as crianças do Brasil!
Era o que eu tinha a dizer.
Que Deus abençoe o Brasil!

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