Deputado lamenta violência na Grande São Paulo e pede prioridade na segurança

Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com muito pesar que venho à tribuna para falar da explosão da violência na Grande São Paulo na última semana.
O número de mortes foi superior à média diária entre janeiro e maio deste ano, que foi de 1,7. Segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo neste final de semana, foram 9 policiais mortos em serviço e 13 policiais mortos em folga em 2011. De janeiro a maio deste ano, já tivemos 7 policiais mortos em serviço e 26 em folga. Também aumentou significativamente o número de mortos devido à resistência à ação policial. Foram 179 mortes em 2011, e, em 2012, de janeiro a maio, 200 mortes.
Na madrugada de quinta-feira, em Osasco, em pontos de tráfico, 8 pessoas foram mortas em 4 horas, por 6 homens encapuzados. Em Parelheiros, a base da Força Tática foi alvo de disparos. Segundo informações da própria Polícia, estão sendo investigadas várias hipóteses, tais como uma guerra entre quadrilhas de traficantes, e não está descartado até mesmo o envolvimento de policiais. Segundo declaração do Governado Geraldo Alckmin à Folha de S.Paulo, 36 pessoas já foram presas desde o último dia 22, devido a sua participação na morte de policiais militares e em atentados.
Na madrugada da sexta-feira, o PM João Carlos Bonesso, 32 anos, morreu esfaqueado na sua própria casa, em Guarulhos, após reagir a um suposto assalto. O assaltante também utilizou a arma do policial para atirar no cunhado da vítima – felizmente, ele não foi atingido.
Infelizmente, Sra. Presidente, trata-se de mais um trágico capítulo da onda de violência na Grande São Paulo. Os relatos de violência parecem já fazer parte do cotidiano da cidade e o temor da população aumenta a cada notícia que traz estatísticas cada vez mais assustadoras. Nesses números estão vidas humanas ceifadas de forma violenta; são milhares de famílias atingidas de forma brutal, a cada assassinato.
Segundo dados de pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Abril Mídia, que ouviu 1.978 paulistanos entre 6 e 15 de fevereiro deste ano, 76% dos entrevistados já foram abordados por ladrões e 81% tiveram parentes vítimas de algum tipo de delito. Apenas 17% sentem-se seguros ao andar nas ruas de dia e, à noite, 2%. A taxa de homicídios no Brasil cresceu 41% em 17 anos, de 1992 a 2009, de acordo com a pesquisa de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – IDS 2012, divulgada em junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 2009, ano dos dados mais recentes disponíveis, a média de assassinatos no País foi de 27,1 mortes para cada 100 mil habitantes, enquanto em 1992 o índice foi de 19,2.

O desafio da Polícia é constante, porque a cada passo dado pela segurança pública os marginais mudam sua área de atuação. E muitos passos têm sido dados pelo Governo do Estado, como, por exemplo, a divulgação de estatísticas criminais por região, que ajuda a priorizar a ação policial nos pontos críticos. Mas há ainda a necessidade de investir mais na área de segurança pública, porque, apesar de o número de policiais e dos recursos à disposição da tropa terem aumentado, ainda não são suficientes em face da grande movimentação financeira e do aparelhamento dos marginais gerados pelo tráfico de drogas, que, sem dúvida, representa um dos grandes malefícios deste século.
E para combater esse mal, essa verdadeira guerra, Sra. Presidente, temos de investir na educação, na formação de nossos jovens, numa escola que dissemine bons valores, limites que devem ser respeitados. Temos de dar o devido valor à vida humana. Precisamos enfrentar essa questão com seriedade.
Temos transformado nossos lares em fortalezas; nosso direito de ir e vir livremente é ameaçado pela insegurança. E quando se fala em solucionar a violência nas grandes cidades, a exemplo de São Paulo, não parece ser algo simples, porque, da mesma forma que temos de fortalecer a educação nas escolas, não podemos resolver esse problema sem encontrar uma solução para a família brasileira.
Nas ações de combate à violência, temos de priorizar a revitalização da família, da instituição família, porque é a família que detém grande parcela da formação do indivíduo. A violência é o verdadeiro manifesto da desintegração da sociedade, da falta de respeito humano. E é na família que as crianças aprendem as suas primeiras lições de boa convivência, de consciência cidadã, ou seja, a base para a vida em sociedade.
Sra. Presidente, manifesto, neste momento minha solidariedade a todas as famílias que foram atingidas, de alguma forma, por essa explosão de violência em São Paulo.

Que Deus abençoe o Brasil!

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