Deputado lamenta o falecimento do Padre Mario Faleiros da Silveira, de Arujá, e faz discurso sobre os elevados juros dos cartões de crédito

Sr. Presidente, quero agradecer ao ilustre Deputado Marcos Rogério a deferência, sua concessão sempre generosa e gentil.
Sr. Presidente, ilustre Deputado Amauri Teixeira, Sras. e Srs. Parlamentares, antes de iniciarmos o assunto que nesta oportunidade nos traz a esta tribuna, eu quero fazer aqui um registro – e o faço com um profundo lamento. Faço aqui, Deputado Amauri Teixeira, a minha manifestação de pesar pelo falecimento de um dos homens mais especiais e ilustres que eu já conheci em toda a minha vida. Refiro-me ao Padre Mario Faleiros da Silveira, pároco em Arujá, a cidade natureza, a cidade em que eu moro, no Estado de São Paulo.
Padre Mario, um jovem com 40 anos de idade, uma figura extraordinária, um ser humano de grandeza impressionante, um homem dedicado ao seu rebanho, dedicado ao seu povo, infelizmente nesse 12 de outubro nos deixou para seguir para a eternidade.
Deixou sua paróquia saudosa, a cidade ressentida. Ele fará muita falta pelo seu espírito, pelo seu coração e pelo amor com que ele se dirigia em meio à sociedade e em meio ao seu povo.
Quero expressar aqui a minha solidariedade à sua paróquia, ao seu rebanho, e manifestar também os meus sentimentos à sua família.
Sr. Presidente, o assunto que me traz à tribuna nesta oportunidade novamente são os elevados juros dos cartões de crédito.
No Brasil, os juros anuais dos cartões de crédito chegam a 283%. Essa taxa elevadíssima é injusta, impiedosa e está certamente entre os principais motivos do endividamento dos brasileiros.
E o endividamento da população deve ser uma preocupação séria daqueles que, no Executivo ou no Legislativo, têm responsabilidade e compromisso autêntico, verdadeiro, com o nosso povo.
Atualmente, de acordo com dados do Banco Central de setembro deste ano, portanto números recentes, o índice de endividamento dos brasileiros está em 43%, sendo a classe C a mais afetada. Muitas dessas pessoas são reféns dos altos juros praticados pelas operadoras de cartão de crédito.
Para comparar, Sr. Presidente, os juros de cartão de crédito, que no Brasil acercam-se dos 290% anuais, na Venezuela ficam em torno de 50%.
Não estou demonizando os cartões de crédito. Pelo contrário, a praticidade e as facilidades os recomendam. O problema são os altos juros praticados. Os que os possuem sofrem com os altos juros aplicados sobre as compras. Se um consumidor, por qualquer motivo, não puder pagar o total da fatura no seu vencimento, ou pagar apenas o mínimo do cartão, perceberá a gravidade da alta incidência de juros logo na fatura seguinte.
Quão admirável, Sr. Presidente, a coragem da nossa Presidenta Dilma Rousseff ao enfrentar e confrontar poderosos interesses e levar seu Governo a atuar pela redução das taxas de juros cobradas pelos bancos! Mas não somente os bancos, as operadoras de cartões de crédito também precisam reduzir as taxas de juros.
Ontem, dia 16 de outubro, a UGT, União Geral dos Trabalhadores, reuniu manifestantes nos Estados de Roraima e de Minas Gerais e nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro e demais capitais brasileiras, com o objetivo de promover atos públicos, em que se recolheram assinaturas que serão trazidas a esta Casa para pedir mudanças no regime de juros e redução drástica das taxas de juros aplicadas anualmente. A ação é nacional e ocorre em todas as capitais do Brasil.
Em São Paulo, a manifestação ocorreu em frente ao Banco Central, na Avenida Paulista.
O objetivo é reunir o maior número possível de assinaturas, para levar um abaixo-assinado à Presidenta Dilma Rousseff, chamando a atenção do Governo para que exija que as operadoras dos cartões de créditos reduzam os juros do crédito rotativo, que, ao longo dos anos, vêm corroendo economicamente a população e sacrificando sobretudo as trabalhadoras e os trabalhadores.
Sr. Presidente, peço apenas 1 minuto para completar a linha de raciocínio e concluir.
Desde que a UGT iniciou essa campanha, muitas discussões em relação ao tema foram iniciadas, culminando com a redução dos juros rotativos, a primeira em cerca de 3 anos. Houve uma redução de 2,62%, que é muito tímida se comparada aos cerca de 16% que as operadoras cobram mensalmente da população.
Cumprimento, como membro deste Parlamento e Vice-Presidente Nacional da UGT, o Presidente Ricardo Patah e todas as companheiras e todos os companheiros ugetistas, aos quais estou unido nessa causa, pelo compromisso assumido com a trabalhadora, o trabalhador e a sociedade brasileira em geral.
Nossa luta imediata é pela redução da taxa de juros, mas, vencidos essa etapa e esse desafio, precisamos discutir profundamente o nível de endividamento dos brasileiros. E esta discussão não pode ficar restrita às paredes de nossas Comissões, precisa ser feita com a sociedade. Alguém precisa alertar a sociedade brasileira para as implicações desse endividamento.
A dívida que foge do controle consome a alma, adoece, desgasta relacionamentos, destrói lares, promove a infelicidade. Evitemos esse abismo em forma da bolha do aparente sucesso, mas a longo prazo de elevado custo para o nosso povo.
Sr. Presidente, era o que tinha a dizer. Muito obrigado.
Que Deus abençoe o Brasil!

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