Deputado critica excessos e presença de crianças na manifestação dos policiais da Bahia

Sr. Presidente, ilustre Deputado Amauri Teixeira, a quem neste momento reverencio e por intermédio de quem cumprimento o Partido dos Trabalhadores, que amanhã, 10 de fevereiro, completará 32 anos de linda história, de bonita trajetória de lutas em favor dos trabalhadores e das classes mais sensíveis do nosso País.
Sr. Presidente, Srs. Parlamentares, hoje, fiz aqui um apelo, referindo-me à PEC nº 300, de 2008. Fiz uma reflexão e, na oportunidade, reconheci o direito à manifestação dos policiais da Bahia, bem como o direito à manifestação que temos tido em todo o País.
Manifestei minhas preocupações, porque tem havido excessos, tem havido exageros que precisam ser impedidos, que precisam ser condenados e sobre os quais todos devem refletir. A ordem pública não pode ser comprometida. Apontei como excesso, por exemplo, o uso de armas por policiais militares, especialmente. Entendo que, tendo eles todo o direito de se manifestarem, deveriam ter entregue suas armas e, depois da manifestação, as receberem de volta.
Condenei também a presença de crianças nessas manifestações, o que se revelou um despropósito dos organizadores do movimento.
No entanto, quero aqui dizer que reconheço, em nossos policiais e bombeiros militares, figuras ilustres, verdadeiros heróis nacionais. Assim sendo, não podemos tratá-los como criminosos. Às vezes, Sr. Presidente, a mim me parece que vivemos no Brasil uma verdadeira inversão de papeis e valores, quando nesta Casa tratamos criminosos internacionais, condenados pela Justiça dos países de origem, como é o caso de Cesare Battisti, como heróis e tratamos os nossos heróis como criminosos e bandidos. Isso não deve acontecer.
Esta Casa precisa participar desta discussão, trazer serenidade ao tema; precisa estar ao lado dos governantes do País, como aconteceu na Bahia. Precisamos trazer para esta Casa o debate sobre a questão dos salários dos policiais de todo o Brasil, uma justa reivindicação. E devemos ainda considerar, Sr. Presidente Amauri Teixeira, que o salário dos policiais da Bahia é o segundo maior salário da categoria no o País, estando apenas e tão somente abaixo do praticado no Distrito Federal.
Desde já agradeço a V.Exa., Presidente Amauri Teixeira, sua generosidade e paciência. Peço-lhe, porém, a concessão apenas de mais alguns minutos para que eu leia parte de Nota acerca de entrevista em que o Ministro Gilberto Carvalho, no dia de hoje, esclareceu alguns comentários sido feitos nesta Casa sobre seu pronunciamento no Fórum Mundial Social em Porto Alegre.
Numa parte da entrevista, ele disse o seguinte:
“De maneira alguma ataquei os companheiros evangélicos. Quem conhece minha trajetória, sabe do carinho que eu tenho, do reconhecimento que eu tenho ao trabalho das Igrejas Evangélicas no País. O que eu fiz lá foi uma constatação política que, de fato, quem tem presença na periferia do Brasil, quem fala para as classes sobretudo C, D e E são as Igrejas Evangélicas e, portanto, essa presença tem que ser reconhecida, é real e efetiva”.

E continua a Nota da Secretaria-Geral da Presidente da República::
O Ministro ressaltou que não pretendeu desmerecer os evangélicos, ‘pelo contrário, eu estava fazendo um reconhecimento da importância desse segmento’, disse ele, que enfatizou ainda que defende ‘uma parceria do governo com as Igrejas Evangélicas, que efetivamente contribuem para a reconstituição de pessoas e famílias, desenvolvendo trabalhos sociais’. O Ministro rejeitou e negou peremptoriamente que tenha feito qualquer depreciação ao mundo evangélico.
O Ministro Gilberto Carvalho lamenta que a interpretação de suas palavras tenha causado mal-estar a pessoas e comunidades a quem ele muito respeita e com quem tem laços fraternos de amizade”.

Concluo dizendo que não me senti ofendido, como evangélico, com a declaração do Ministro. Senti-me, sim, preocupado e apreensivo, mas me tranquilizei com a declaração da Presidenta Dilma de que não se tratava de uma posição do Governo e me confortei com a entrevista do Ministro, o que, para mim, põe um ponto final nessa discussão.
Com relação ao que mencionei há pouco, a respeito de Cesare Battisti, não vou falar hoje sobre o assunto, porque estou de terno claro, mas amanhã virei de terno preto para tratar do tema e expressar a tristeza que toma o meu coração e a preocupação com o Brasil que eu amo, que os senhores amam, que o Partido dos Trabalhadores ama e que cada membro desta Casa ama.

Que Deus abençoe o Brasil!

 

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