Deputado conta com participação da Cetesb em reunião sobre contaminação por chumbo

 

O Grupo de Trabalho (GT) que estuda e debate, na Câmara dos Deputados, a questão da contaminação por chumbo em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, reuniu-se nesta terça-feira (13/08) pela quinta vez na Comissão de Direitos Humanos e Minorias.  Presidido pelo deputado federal Roberto de Lucena (PV-SP), o GT busca soluções para a grave situação ambiental e de saúde que vem enfrentando a população de Santo Amaro, ao longo dos últimos 40 anos, com as consequências da poluição e a contaminação por Chumbo (Pb) e Cádmio (Cd), em nível endêmico.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) deu a sua contribuição para a 5ª reunião do GT. A convite do deputado, o engenheiro Rodrigo César de Araújo Cunha, gerente do Setor de Gestão de Recursos para Investigação e Remediação de Áreas Contaminadas da CETESB, participou, por meio de audioconferência, das discussões. “A participação da Companhia será de extrema importância para ajudar na construção de um diagnóstico sobre esta situação na cidade baiana”, enfatizou Roberto de Lucena. Também participaram da reunião os consultores legislativos Maurício Schneider, Cláudio Viveiros e Gisela Hathaway.

De acordo com a agenda do GT, está prevista para o início de setembro uma visita do grupo ao Estado da Bahia. “Estaremos reunidos com autoridades do Estado e com membros do Ministério Público, em Salvador e, em seguida, vamos checar pessoalmente a lamentável situação em que vive a população de Santo Amaro”, informou o deputado.  Segundo ele, o GT produzirá um relatório detalhado sobre a situação e também irá propor ao poder público medidas e providências para resolver, “ou pelo menos amenizar” o drama das vítimas da contaminação. “A contaminação já fez mais de três mil vítimas fatais e, ainda hoje, crianças nascem com problemas sérios de saúde. São centenas de trabalhadores sofrendo com o descaso e a negligência do Estado”, disse.

Roberto de Lucena promoveu, em março passado, audiência pública para mostrar a situação da população santamarense. Dados apresentados durante a audiência revelaram que, durante 33 anos de operação, a Companhia Brasileira de Chumbo (Cobrac), subsidiária da empresa francesa Penarroya Oxide S.A., contaminou o município do recôncavo baiano com um passivo ambiental de milhões de toneladas de rejeitos e cerca de 300 mil toneladas de escória (mistura de terra com alta concentração de chumbo).

Os danos causados ao meio ambiente tiveram como consequência a contaminação, principalmente dos ex-trabalhadores e moradores do entorno da fábrica. “Ainda hoje eles sofrem de saturnismo, uma doença que afina os braços, paralisa as mãos, provoca dores agudas, causa impotência sexual nos homens, provoca o aborto e também a má formação fetal”, lamentou o deputado. O excesso de metais na água e no solo também provocou outras doenças como o câncer de pulmão, a anemia, lesões renais, hipertensão arterial, doenças cerebrovasculares e alterações psicomotoras.

 

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