Deputado alerta sobre situação dos trabalhadores da Nissan no Mississipi (EUA)

 

Acompanhado por uma comitiva da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da qual é vice-presidente, o deputado federal Roberto de Lucena (PV-SP) visitou os Estados Unidos, em missão oficial da Câmara dos Deputados, na última semana, entre os dias 17 e 22 de março. O parlamentar esteve na Câmara dos Vereadores de Jackson, capital do Mississipi, e no Capitólio Estadual. Roberto de Lucena também participou de um encontro de dirigentes sindicais liderada pelo presidente da UGT, Ricardo Patah, com dirigentes da UAW, a maior organização sindical dos Estados Unidos, lideradas pelo presidente Bob King, e com os trabalhadores da Planta da Nissan em Canton.

“O Mississipi é um dos estados mais pobres dos Estados Unidos, tem o PIB mais baixo do país e é emblemático na perspectiva da luta pelos direitos civis dos negros e outras lutas sociais. Lá, nos deparamos com uma luta desigual dos trabalhadores da Nissan”, afirmou Roberto de Lucena.

A montadora japonesa Nissan, que tem como presidente mundial o brasileiro Carlos Ghosn, enfrenta um sério problema na fábrica instalada no estado do Mississipi. A unidade tem cerca de 4.500 trabalhadores, sendo que 40% são trabalhadores temporários. Muitos permanecem nesta situação por seis ou sete anos, recebendo metade do salário dos efetivos e não sendo contemplados por diversos benefícios, inclusive em condição de uma carga horário de trabalho fixa e justa.

“Aqui no Brasil, o trabalhador é protegido por uma legislação trabalhista que precisa ser melhorada, aprofundada, mas que é uma legislação avançada, e os temporários ficam nessa condição por no máximo 90 dias, sendo que a partir disso são efetivados ou desligados”, explicou Roberto de Lucena.

Os trabalhadores da Nissan do Mississipi têm buscado se organizar em sindicato, para assim abrirem a discussão acerca de seus direitos e das condições de trabalho com a direção da empresa. Porém, a direção local da montadora tem empreendido todos os esforços para impedir os trabalhadores de exercerem esse direito de se organizarem. “Esses trabalhadores são pressionados, têm seus empregos ameaçados e, inclusive, recebem ameaças de que a Nissan encerrará suas atividades no local caso eles se organizem em sindicato. E esses postos de trabalho são, apesar de tudo, os que melhor pagam no estado”.

Para Roberto de Lucena, o direito ao trabalho digno deveria ser um direito inalienável, garantido constitucionalmente. “Esse verdadeiro terrorismo contra os trabalhadores da Nissan é algo absolutamente horroroso”, ressaltou.

Segundo o deputado, a luta pelos direitos civis, pelos direitos humanos e pelos direitos dos trabalhadores não é mais uma questão local, e sim uma luta de todos, em toda a parte do mundo: “Precisamos dar as mãos por cima dos muros, todos, e lutarmos globalmente, juntos, para por fim à injustiça e à desigualdade”.

O parlamentar informou que a União Geral dos Trabalhadores está engajada na Campanha Mundial liderada pelo UAW e pelos trabalhadores da Nissan e cobrou da companhia japonesa, uma das maiores e mais importantes do mundo, o respeito aos direitos dos trabalhadores do Mississipi. “Eles amam o seu emprego e amam a Nissan. São pró-sindicato e pró-Nissan. E querem apenas se organizar e serem respeitados por essa grande companhia”, concluiu Roberto de Lucena.

 

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