Deputado demonstra contrariedade à pretendida cassação do registro de psicólogo do pastor Silas Malafaia, e fala da discriminação contra evangélicos no País

Sra. Presidente, quero hoje registrar minha preocupação com um tema que pretendo trazer para esta Casa, a fim de refletirmos e debatermos, que é uma certa mobilização e movimentação que temos visto acontecer em nosso País para silenciar algumas pessoas e impedi-las de terem garantido o que a Constituição assegura: o direito à liberdade de expressão. Refiro-me especialmente, neste momento, ao que tem acontecido com o Pastor Silas Malafaia.
Não preciso dizer aqui quem é o Pastor Silas Malafaia. Quem no Brasil não sabe quem ele é? O Pastor Silas Malafaia, recentemente, tem sido alvo de um site na Internet, o AVAAZ, que provocou um abaixo-assinado para que o diploma de psicólogo dele fosse cassado, que a sua licença para atender, para clinicar fosse suspensa, em função das opiniões dele, através dos veículos de comunicação, através de seminários, a respeito, sobretudo, da discriminação, da intolerância, da homossexualidade. Muitas vezes as suas palavras têm sido distorcidas. Em função disso, Presidente, o Pastor Silas Malafaia tem sido perseguido.
Interessante que, há duas semanas, havia quase 50 mil assinaturas propondo que o diploma dele fosse cassado. Outra manifestação pública, também através desse mesmo site, propôs, no sentido contrário, que o Pastor Silas Malafaia não sofresse esse tipo de perseguição, de sanção, e rapidamente superou essa quantidade de assinaturas. E quando estava já com quase 70 mil assinaturas, a informação que tenho é de que esse abaixo-assinado teria sido suprimido, teria sido retirado.
A minha preocupação, Sr. Presidente, é com o que estamos vendo, estamos assistindo: a construção, no País, de um ambiente muito preocupante, um ambiente muito delicado, em que ânimos estão sendo exaltados, em que a intolerância está sendo alimentada. Nós estamos vendo crescer a cada dia no Brasil, no nosso País, um ambiente em que irmãos são jogados contra irmãos. Há pessoas que têm o interesse de lançar segmentos contra segmentos.
E quero dizer a V.Exa. que a Igreja Evangélica sabe o que é sofrer perseguição, sabe o que é ser discriminada neste País. Os primeiros missionários presbiterianos que chegaram ao Rio de Janeiro, há 150 anos, foram recebidos com pedras, com prisão, com perseguição. As ruas do Rio de Janeiro receberam sangue desses missionários. Os missionários que chegaram aqui há pouco mais de 100 anos, os pioneiros da Assembleia de Deus Daniel Berg e Gunnar Vingren e os pioneiros da evangelização pentecostal no Brasil souberam o que era a perseguição e a discriminação.
Deputado Izalci, estou Deputado, mas sou pastor. Sou filho de pastor, sou neto de obreiros, a terceira geração de evangélicos da família, e as três gerações da Igreja O Brasil para Cristo. Nossa Igreja, que está hoje espalhada por todo o território nacional, em todas as Unidades da Federação, com mais de 4 mil templos, quase 1 milhão de membros, teve no seu início, há 57 anos, suas tendas de lona queimadas, seus tabernáculos e templos depredados. O fundador dessa Igreja, o missionário Manoel de Mello, foi preso 27 vezes. Muitos dos nossos pastores sofreram prisões e eram perseguidos. Alguns chegaram a ser expulsos de suas cidades. Nossas crianças sofreram bullying nas escolas – sofreram bullying por serem evangélicas, pela fé que professavam. Em muitas cidades, especialmente no sul do País, os cemitérios públicos proibiam os evangélicos de sepultarem ali seus entes queridos. Por isso, ao lado do templo havia um campo santo onde os entes queridos dos fiéis da Igreja eram sepultados.
A Igreja Evangélica, que sofreu esse tipo de perseguição e de discriminação em nosso País, sabe o que é o carimbo, a pecha, a luta. Quem sofreu a discriminação que ela sofreu e sofre até hoje sabe conviver com o respeito e a tolerância com todos os segmentos da sociedade.
O primeiro segmento a levantar-se e a lutar contra a violência, a intolerância, é a Igreja Evangélica. Mas hoje, Sra. Presidente, nós estamos vendo levantar-se, no Brasil, uma discriminação velada. Mais que isso, uma discriminação aberta, agressiva, contra a Igreja, contra os evangélicos. Nós estamos vendo construir-se, neste País, uma verdadeira cristofobia.
O Pastor Silas Malafaia tem pago um preço muito alto por suas posições, que não são dele, são posições fundamentadas na fé que ele professa e que eu também professo. São posições fundamentadas na doutrina que ele abraça. Neste País, ninguém pode ou deve ser discriminado nem perseguido em função da sua fé, em função da sua crença.
Ele não precisa de advogado. Eu não advogo para o Pastor Silas Malafaia. Ele não precisa da minha voz para defendê-lo. Mas eu faço questão de levantar-me, como membro deste Parlamento, membro da Frente Parlamentar Evangélica, membro da Frente Parlamentar da Família, para repudiar esse movimento provocado por esse site, para repudiar essas manifestações no sentido de cassar os direitos profissionais, como psicólogo, do Pastor Silas Malafaia.
Eu não me oponho, Sra. Presidente, a que as pessoas se manifestem contra ele, a que as pessoas o critiquem, censurem-no, até porque eu defendo a liberdade de expressão, a democracia. Muitas vezes, sou até criticado, mal interpretado, porque defendo a liberdade de expressão no Brasil e fora do País, em todos os regimes, porque defendo a liberdade religiosa.
Aqui, se alguém quiser criticar o Pastor Silas Malafaia, critique-o. Agora, o movimento que tem sido desenvolvido, desencadeado, no sentido de pedir a cassação do diploma dele, é ilegítimo, é ilegal, é imoral, porque se levanta – concluo, Sra. Presidente – apenas para cercear o homem e colocar nesse homem uma mordaça.
Sra. Presidente, V.Exa. bem me conhece e sabe da minha postura neste Parlamento. Neste País, podem criticar Deus, o diabo, os evangélicos, católicos, padres, pastores, mas quando alguns segmentos entendem que estão sendo questionados levantam-se de maneira desproporcional, querendo amordaçar a sociedade e aqueles que são seus porta-vozes do argumento contrário, do contraponto.
Deixo aqui, Sra. Presidente, esse registro, em que falo da minha indignação com esse movimento, o meu repúdio à postura desse site e meu apoio e a minha solidariedade absolutos ao Pastor Silas Malafaia, que tem sido vítima de preconceito, de discriminação.
Era o que tinha a dizer.
Obrigado, Sra. Presidente.

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