90º aniversário da Folha de São Paulo

Sr. Presidente, Deputado Edinho Araújo, proponente do requerimento que possibilitou a realização desta sessão; Sra. Maria Cristina Frias, acionista da empresa que publica a Folha de São Paulo e colunista do jornal; Brigadeiro Sérgio Luiz de Oliveira, que representa nesta sessão o Ministro da Defesa, Dr. Nelson Jobim; Sr. Sérgio D’Ávila, Editor-Executivo da Folha de São Paulo; Sras. e Srs. Deputados; ilustres convidados: o Congresso Nacional brasileiro, por meio da Câmara dos Deputados, vem render hoje, na forma desta sessão solene, as suas homenagens à Folha de São Paulo,

importante veículo de comunicação que no dia 19 de fevereiro completou 90 anos de fundação e que, ao longo de toda a sua trajetória, se tornou parte fundamental no registro e na construção da história do Brasil, relatando, durante todos esses anos, com imparcialidade e responsabilidade, fatos que marcaram a vida de todos nós, brasileiros.

É motivo de orgulho e satisfação aqui representar o Partido Verde e falar em nome de nossa bancada, em especial daqueles que, como eu, estão vindo do Estado de São Paulo, berço da Folha, como íntima e carinhosamente é tratada pela sua multidão de leitores e assinantes, entre os quais me incluo há anos.

Desde 1921, quando nasceu, passando por 1945, quando ganhou o nome atual, esse importante diário paulista tem sido por muitos anos o veículo impresso de maior circulação no País. Atualmente é dirigido por Otávio Frias Filho. Segundo a revista “Consumidor Moderno”, foi reconhecido como o jornal que mais respeita o consumidor.

Nesses 90 anos, cerca de 1 milhão e 800 mil páginas, que hoje estão disponibilizadas integralmente na Internet, registraram fatos importantes, decisivos, que mudaram o curso da história mundial e da história nacional.

Pelas páginas da Folha, atualmente dirigida por Otávio Frias Filho, o Brasil pode acompanhar temas mundiais, como as guerras do Kosovo (1999), do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003). Pode acompanhar também os temas nacionais, como as Diretas Já, nos anos de 1983/1984; a cobertura das ações dos grandes presidenciáveis brasileiros, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Baptista Figueiredo, Tancredo Neves e Fernando Henrique Cardoso. Nas páginas da Folha de S.Paulo os brasileiros puderam acompanhar a ascensão e queda de Fernando Collor de Melo e os 8 anos da Era Lula.

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Mestre da Galileia bem disse que não é possível servir a dois senhores. Há que se decidir a quem ser fiel. A Folha escolheu a quem queria servir e a quem queria ser fiel. Decidiu pelo leitor e pela notícia. Teve papel importantíssimo no processo de democratização do País e não hesitou diante de episódios lamentáveis, como a violação do painel eletrônico do Senado Federal, no ano de 2001; o episódio do caixa dois na campanha de FHC; o “mensalão” no Governo Lula; mais recentemente, as denúncias que levaram a ex-Ministra Erenice Guerra a deixar a Casa Civil, bem como outros grandes escândalos que assolaram o País, o que demonstra sua imparcialidade em apresentar as notícias como elas são.

A Folha de São Paulo nunca se omitiu em informar o Brasil. Às vezes é necessário chocar com imagens fortes e inéditas sobre temas como as guerras urbanas do Rio de Janeiro, a fúria da natureza em todas as regiões do planeta, a violência doméstica, a fome no mundo e as guerras que tanto horrorizam a humanidade.

Mas não é só com tristes e trágicas notícias que se faz um grande jornal. A Folha de São Paulo, inúmeras vezes, levou a alegria aos lares, a exemplo das grandes reportagens que registraram o milésimo gol do Rei Pelé e o crescimento econômico do País.

Grandes nomes do jornalismo integram hoje a honrosa equipe da Folha de São Paulo, como Clóvis Rossi, membro do Conselho Editorial e Repórter Especial da Folha; Gilberto Dimenstein, membro do Conselho Editorial; Carlos Heitor Cony, membro do Conselho Editorial; a colunista Eliane Cantanhêde; a Editora do Caderno Ilustrada, Sylvia Colombo; a colunista Maria Cristina Frias, entre tantos outros repórteres, colaboradores, redatores, editores, diretores. São exemplos do compromisso com o jornalismo de credibilidade, de apuração fidedigna, com a busca dos fatos esmiuçados. São exemplos de ética jornalística e demonstram um verdadeiro amor à profissão.

Nossos parabéns a todas as pessoas responsáveis por um dos maiores veículos de comunicação do País. Nossos parabéns aos funcionários, aos fotógrafos, aos distribuidores, enfim, a todos que, de forma anônima, colaboram com o sucesso da Folha de São Paulo. Um grande jornal não se faz sozinho e muito menos se perpetua durante 90 anos sem brilhantes profissionais conduzindo essa história de sucesso.

Na Internet, a Folha de São Paulo também se destaca. Foi o primeiro veículo de comunicação do Brasil a oferecer conteúdo em tempo real aos seus leitores, em 1995. Também contabiliza o maior número de leitores entre os sites de jornais do País, além da audiência de 17 milhões de visitantes únicos e 173 milhões de páginas visitadas por mês. A Folha contabiliza na Internet cerca de 500 notícias publicadas todos os dias. Que venham ainda mais modernidades, pois a Folha está preparada para o futuro.

Quero aqui afirmar, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, Sras. e Srs. Deputados, que a Folha de São Paulo é muito mais que um jornal. Ela é fonte de pesquisa e consulta diária para estudantes, pesquisadores, historiadores e para profissionais das mais variadas áreas.

Como exemplo, cito a contribuição que a Folha de São Paulo traz para o nosso trabalho parlamentar. É praticamente impossível desenvolver nosso trabalho sem recorrer à Folha de São Paulo em busca de informações ou de confirmação de dados sobre economia, saúde, ciência, vida cotidiana e até mesmo política. Muitas matérias e propostas legislativas foram originadas nas páginas do jornal Folha de São Paulo. Muitos requerimentos, projetos de lei e até mesmo pedidos de aberturas de CPIs tiveram como fundamento e justificativa matérias e reportagens publicadas pela Folha de São Paulo.

Com esse grande e valoroso histórico, a Folha de São Paulo, mais do que comemorar 90 anos, comemora uma rica história de sucesso, que perdura por quase um século. Que os leitores do Brasil e do mundo continuem prestigiando esse que é um dos maiores veículos de comunicação do País; que o Brasil continue a ser contado por meio de suas páginas, sempre primando pela qualidade e pela ética; enfim, que esse jornal continue sendo sempre a nossa Folha de São Paulo, que tanto nos orgulha.

O Sr. Alfredo Sirkis – V.Exa. me concede um aparte?

O SR. ROBERTO DE LUCENA – Concedo um aparte ao Deputado Alfredo Sirkis.

O Sr. Alfredo Sirkis – Como V.Exa. foi mais rápido no gatilho ao se inscrever para falar em nome do Partido Verde, eu gostaria de complementar suas palavras, em primeiro lugar, externando a todos um abraço carinhoso da ex-Senadora Marina Silva, que é imensamente grata à Folha de São Paulo pelo papel que o jornal desempenhou nas últimas eleições. Propiciou a não polarização previamente apresentada, que poderíamos chamar, como dizem os ingleses, de self-fulfilling prophecy. A Folha percebeu que havia ali, em gestação, uma terceira força e foi capaz de dar a palavra à Senadora no momento em que essa palavra estava sendo negada a ela. Quero dizer que praticamente todos os presentes e todos os políticos têm com a Folha uma relação de amor e ódio. Fiquem tranquilos, pois 80% das relações são de amor. Considero a Folha um meio de comunicação absolutamente fundamental. No Rio de Janeiro vivemos o drama de, após vários anos com dois grandes jornais, ter hoje apenas um grande jornal. Isso foi um prejuízo terrível para o povo carioca, para o povo fluminense, embora o jornal remanescente tenha melhorado muito de qualidade em relação ao que foi em anos passados. Vocês, paulistas, têm a felicidade de ter essa concorrência, essa emulação. Em relação à Folha de São Paulo, fora tudo o que já foi dito em termos de elogio, eu gostaria de ressaltar a sua grande preocupação de estar na vanguarda de mecanismos de defesa do leitor. É o único dos grandes jornais brasileiros que tem o ombudsman, que nem sempre funciona 100%, mas, comparado com todos os outros jornais, é o único que oferece um canal ao leitor para que este faça suas reclamações, suas ponderações. Ele próprio, por sua iniciativa, muitas vezes faz críticas ao jornal. A redação reage, e implanta-se dentro do jornal um clima de debate democrático e de controle de qualidade. A Folha de São Paulo e todos os outros grandes jornais, não só do Brasil, como do mundo, vivem um momento de imenso desafio, qual seja, essa fase de mutação. As novas mídias surgem, e há um peso cada vez maior dos sites, das mídias digitais, o que, de fato, traz grande concorrência, pois hoje praticamente todos são jornalistas dentro do universo multifacetado e diversificado da Internet. Nesse sentido, a concorrência com o jornalismo é cada vez maior, mas poucos conseguem fazer o bom jornalismo. Então, eu me congratulo com esses 90 anos da Folha de São Paulo. Considero que o seu papel na democracia brasileira é absolutamente fundamental. Aposto que a Folha terá sucesso na sua passagem para uma nova plataforma de mídia, neste momento em que contam não só a qualidade de produção da informação, análise e abastecimento do leitor, como também o próprio desafio empresarial de estar à altura desses novos tempos. Tenho certeza de que vocês serão bem-sucedidos e que teremos pelo frente mais 90 anos.

O SR. ROBERTO DE LUCENA – Muito obrigado, Deputado Alfredo Sirkis, pelo seu aparte, que enriqueceu o meu pronunciamento.

Parabéns, Folha de São Paulo, pelos seus 90 anos. E que venham muitos mais!

Era o que tinha a dizer.

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